Fábulas das borboletas
(Aos heróis e à santa vaidade)
Ia a bela borboleta
Borboleta que era bela
Mais que toda borboleta
Borboleta igual a ela
E sonhava um lindo sonho
Mais que sonho, era missão
Para o mundo torto e feito
Ela tinha a salvação
Para tanto bastaria
A beleza revelar
Quando o homem reparasse
A maldade ia acabar
Mas no meio do jardim
Ela voava esquecida
Porque todos quando olhavam
Viam a flor preferida
Entre tanta violeta
Tanta rosa e margarida
Ia triste a borboleta
Por não ser nem percebida
Invejava a andorinha
Mesmo sem ter formosuras
Olha o mundo lá de
cima
Ela é vista das
alturas
Foi assim que percebeu
O que tinha que fazer
Era só voar bem alto
E o mundo iria ver
Nunca é tarefa fácil
Negar toda natureza
Borboleta voa baixo
Alta é só na leveza
Mas lá foi a nossa amiga
Consciente da missão
Eis que um vento lá de cima
A devolve para o chão
Não desiste segue em frente
A fazer tamanho intento
Mas de novo ela retorna
Ao menor sobro do vento
Tenta ainda novamente
Bate as asas sem parar
E por mais que sopre o vento
Ela consegue avançar
Bate as asas mais um pouco
Vai mais uma… duas… três…
Quando surge a andorinha
E a engole de uma vez
Lá se foi a borboleta
Borboleta que era bela
Mais que toda borboleta
Borboleta igual a ela
Se te queres borboleta
Que seja! Mas quando fores
Não te tentes a voar
Para além daquelas flores








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