A ONÇA ESPETADA PELA
FLECHA
À agulha do Machado
“Eis que grande invenção", diz a flecha
A caçoar da onça agonizante
E segue aos elogios, a arrogante
Empinando as penas de sua mecha
"Oh, pobre ser, de espírito tão parco"
Torna a onça com ar de sossegada
"Diz que é rainha, mas é só criada
Pois o seu senhor sempre fora o arco"
" O arco obedece ao que o dono manda
Um rei de verdade é quem livre anda!"
Brada a flecha com ares superiores
Eis o bom soldado, ele nunca falha
Vai como um rei ao campo de batalha
Assim faz a vontade dos senhores.
Belo soneto, (italiano), ABBA-CDDC.
ResponderEliminarOs escritos épicos são uma fonte inesgotável, não é? Parece que estão tão dentro de nós, como o romance de Cervantes, só que bem mais legíveis...rss
Diferentemente do conto do machado, desta feita quem perfura (a flexa) é que faz o papel da linha e fica presa - "inutilizada"; enquanto o arco (a agulha do Machado) se desincumbe para novas tarefas gloriosas.
Melhor dizendo, neste caso a flexa acumula duas funções, a de agulha e linha.
Parabéns.
Abraço.